A Paixão de Cristo é o relato dos sofrimentos e da morte de Jesus, contado em Marcos 14 e 15: a oração no Getsêmani, a negação de Pedro e a crucificação. A Bíblia explica o sentido: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores (Romanos 5:8). Em 2027, a Sexta-feira da Paixão é 26 de março.
A Paixão de Cristo em Marcos: seis cenas
A tabela reúne as seis cenas que o artigo percorre, com o que o texto mostra em cada uma. O artigo segue o texto de Marcos e não acrescenta detalhes que ele não traz.
| Cena | Texto | O que o texto mostra |
|---|---|---|
| 1. Getsêmani | Marcos 14:32-36 | Jesus sente pavor e angústia e ora: "não seja o que eu quero, e sim o que tu queres" |
| 2. A negação de Pedro | Marcos 14:66-72 | Pedro nega três vezes, o galo canta e ele chora |
| 3. Pilatos e os soldados | Marcos 15:15-20 | Barrabás é solto, Jesus é entregue para ser crucificado e zombado |
| 4. O caminho do Gólgota | Marcos 15:21-24 | Simão Cireneu é obrigado a carregar a cruz |
| 5. A morte | Marcos 15:33-39 | Trevas, o clamor de Jesus, o véu rasgado e a confissão do centurião |
| 6. O sepultamento | Marcos 15:42-46 | José de Arimateia pede o corpo e o põe num túmulo na rocha |
As seis cenas da Paixão de Cristo em Marcos. Textos: NAA. Arte: Blog Família Hazel.
Getsêmani e a negação de Pedro
No jardim, Marcos mostra um Jesus que não esconde o que sente: “começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes disse: — A minha alma está profundamente triste até a morte; fiquem aqui e vigiem.” (Marcos 14:33-34, NAA). Ele ora: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice! Porém não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” (Marcos 14:36, NAA)
Duas observações sobre o texto: Jesus expressa o que sente ("profundamente triste até a morte") e, ao mesmo tempo, entrega a decisão a Deus. O texto não explica a palavra "cálice"; a leitura comum é a de que ela se refere ao sofrimento que viria, mas esse sentido não é dado nesse versículo.
A cena seguinte mostra a queda de um discípulo. Uma empregada reconhece Pedro e ele nega: “Não o conheço, nem compreendo o que você está falando.” (Marcos 14:68, NAA). Ele nega três vezes, até que se lembra da palavra de Jesus: “E, caindo em si, começou a chorar.” (Marcos 14:72, NAA). O texto registra a negação e o choro: Pedro não é apresentado como um herói, mas como alguém que cai e se dá conta.
Pilatos, os soldados e o Gólgota
A decisão de Pilatos é descrita em uma frase: “Então Pilatos, querendo contentar a multidão, lhes soltou Barrabás. E, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado.” (Marcos 15:15, NAA). O motivo é político: querendo contentar a multidão. Os soldados zombam: “Vestiram Jesus com um manto púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça dele.” (Marcos 15:17, NAA)
No caminho, o texto registra um desconhecido: “E obrigaram Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar a cruz de Jesus.” (Marcos 15:21, NAA). Simão não era discípulo; foi obrigado. Marcos cita os nomes dos filhos, sinal de que a comunidade para a qual ele escrevia os conhecia. Em seguida: “Então o crucificaram e repartiram entre si as roupas dele, tirando a sorte, para ver o que cada um levaria.” (Marcos 15:24, NAA). O relato é contido: não descreve detalhes além disso.
A morte e o sepultamento
Marcos registra o escurecimento do dia e o clamor de Jesus: “Chegado o meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três horas da tarde. E às três horas, Jesus clamou em alta voz: — Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:33-34, NAA). Em seguida: “Mas Jesus, dando um forte grito, expirou. E o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo.” (Marcos 15:37-38, NAA)
Aqui há uma observação importante, feita lendo o texto: a primeira confissão de Jesus como Filho de Deus, depois de sua morte, vem de um estrangeiro. “O centurião que estava em frente de Jesus, vendo que assim havia expirado, disse: — Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus.” (Marcos 15:39, NAA). O texto não explica o véu rasgado; muitos leitores o associam ao acesso a Deus, mas essa é uma interpretação, e não uma afirmação de Marcos nesse trecho.
O relato termina com um gesto de cuidado: “José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o Reino de Deus, dirigiu-se ousadamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.” (Marcos 15:43, NAA). Ele “depositou” o corpo “num túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou uma pedra para a entrada do túmulo.” (Marcos 15:46, NAA). A história para aí, na pedra fechada. A ressurreição, que vem a seguir, é tema do artigo Ressurreição de Jesus.
O que a Bíblia explica sobre a cruz
O relato de Marcos mostra, mas não explica. O sentido aparece em outros textos da Bíblia:
- No Antigo Testamento, o profeta escreve: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.” (Isaías 53:5, NAA)
- Sobre o amor, Paulo escreve: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” (Romanos 5:8, NAA)
- Sobre os pecados, Pedro escreve: “carregando ele mesmo, em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça.” (1 Pedro 2:24, NAA)
- Nas palavras de Jesus na cruz, em Lucas: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34, NAA)
- A última frase registrada por João: “Está consumado!” (João 19:30, NAA)
A leitura cristã comum une esses textos: a morte de Jesus é um ato de amor e de perdão, em favor de quem não o merecia. Os detalhes teológicos (como a cruz opera) são matéria de ensino da igreja e fogem do escopo deste artigo.
Para viver esta semana
- Leia Marcos 14 e 15 em dois dias, devagar, sem pressa, de preferência em silêncio.
- Escolha a cena com a qual você mais se identifica: o pavor no jardim, a queda de Pedro, a pressão da multidão, o homem obrigado a carregar, a confissão do soldado ou o cuidado de José de Arimateia.
- Na Sexta-feira da Paixão (26 de março de 2027), reserve alguns minutos de silêncio e leia Isaías 53:5 e Romanos 5:8.
- Converse com alguém: o que mais te chama atenção no relato de Marcos?
Em resumo
- A Paixão de Cristo é o relato dos sofrimentos e da morte de Jesus; Marcos a conta em seis cenas, do Getsêmani ao túmulo.
- Em 2027, a Sexta-feira da Paixão é em 26 de março e a Páscoa, em 28 de março.
- No jardim, Jesus expressa pavor e angústia e entrega a decisão a Deus (Marcos 14:33-36).
- Pedro nega três vezes e chora; Simão Cireneu é obrigado a carregar a cruz; Pilatos cede à multidão.
- A primeira confissão após a morte vem de um centurião: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus" (Marcos 15:39).
- Outros textos explicam o sentido da cruz: Isaías 53:5, Romanos 5:8, 1 Pedro 2:24 e Lucas 23:34.
Perguntas frequentes
O que é a Paixão de Cristo?
É o nome dado ao relato dos sofrimentos e da morte de Jesus, da noite no Getsêmani até o sepultamento. Os quatro evangelhos a contam; este artigo segue Marcos 14 e 15. "Paixão" vem de uma palavra latina ligada a sofrimento, e se refere aqui ao que Jesus sofreu, e não a emoção amorosa.
O que significa "passa de mim este cálice"?
O texto de Marcos 14:36 não explica a palavra "cálice". A leitura comum é a de que ela se refere ao sofrimento que Jesus teria de enfrentar. O importante, no próprio versículo, é a continuação: "Porém não seja o que eu quero, e sim o que tu queres", uma entrega da vontade a Deus em meio à angústia.
Por que se chama Sexta-feira da Paixão?
Porque a tradição cristã lembra, nesse dia, a morte de Jesus. Em 2027, cai em 26 de março, dois dias antes da Páscoa (28 de março). A Bíblia não indica uma data de calendário para a crucificação; a tradição da igreja fixou a lembrança na sexta-feira anterior à Páscoa.
O que quer dizer "Está consumado"?
É a frase que João registra como última de Jesus na cruz (João 19:30). O sentido de "consumado" é "completado", "cumprido". O texto não detalha o que foi cumprido; a leitura comum é a de que se refere à obra que Jesus veio realizar. Marcos, nos trechos lidos aqui, registra outras palavras.
O que o véu rasgado significa?
Marcos 15:38 diz apenas que "o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo". O texto não explica o gesto. Muitos leitores o associam ao acesso a Deus que a morte de Jesus abre, mas essa é uma interpretação, e não uma afirmação de Marcos nesse trecho.
Por que o centurião é importante no relato?
Porque o relato de Marcos termina a morte de Jesus com uma confissão vinda de um estrangeiro, um soldado romano: "Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus" (Marcos 15:39). Os que estavam perto de Jesus, na cena, zombam ou se confundem. O texto destaca o contraste, sem explicá-lo.
Referências bíblicas e fontes
Textos bíblicos citados na Nova Almeida Atualizada (NAA, Sociedade Bíblica do Brasil, 2017): Marcos 14:32-36 · Marcos 14:66-72 · Marcos 15:15-24 · Marcos 15:33-39 · Marcos 15:42-46 · Isaías 53:5 · Romanos 5:8 · 1 Pedro 2:24 · Lucas 23:34 · João 19:30.
Como este texto foi feito. O artigo se apoia apenas no texto bíblico. As citações foram conferidas na NAA. As observações sobre o que o texto de Marcos diz e não diz (o "cálice" e o véu não são explicados; a confissão do centurião) foram feitas lendo os trechos na NAA. As datas de 2027 foram calculadas pela equipe. A explicação de "Paixão" e a leitura comum sobre "cálice", "véu" e "consumado" são o entendimento usual, sem fonte nomeada.
O que não foi possível apurar. Nenhum comentário bíblico nem fonte histórica foi consultado. O artigo não discute a data histórica da crucificação, nem como a cruz opera na teologia cristã, e não descreve detalhes além dos que o texto traz.
Nota pastoral
A cruz é, para a fé cristã, o lugar onde o amor de Deus se mostra: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores.” (Romanos 5:8, NAA). Se esta semana mexe com você, fale com alguém da sua célula ou envie um pedido de oração pela página de Contato.
Equipe Família Hazel · Redigido em 27 de outubro de 2026
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